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Informação a um Clique! 12:01

Coluna da Semana: A assombração da Mulher do Algodão

Dedicada à Dona Ana, que zelou da escola Reynaldo Massi enquanto viveu.

Ivi Hoje
11/03/2013 às 11:01:00
Colunista Ricardo Pieretti
Foto: Angelo de Oliveira

Por Ricardo Pieretti Câmara
Jornalista, Doutor em Humanidades e Presidente da Fundação Nelito Câmara

Para os cristãos, a quaresma é um tempo de reflexão. É um período singular, onde se evitam os excessos e as festas. Antigamente a coisa era muito mais rígida, principalmente em lugares pequenos, onde a tradição prevalece. Quando menino em Ivinhema nos finais dos anos 80 a preocupação era não poder fazer as brincadeiras, nome que se dava aos bailinhos realizados nas casas de amigos.

 A festa era simples, um aparelho de som que tocasse fita cassete e papel celofane colorido nas lâmpadas para criar um ambiente apropriado para as músicas lentas. Os convidados eram sempre o pessoal da escola, adolescentes de 14, 15 anos. Esses eventos, esperados com ansiedade, geralmente aconteciam nos aniversários e daí a inquietação dos que cumpriam ano na quaresma. O Rafael Trevisan, por exemplo, não escapa de nenhuma.

E não tinha como deixar de ir, o jeito era negociar com o padre. Nós já éramos modernos, não acreditávamos mais que dançar nessa época criasse rabo, mas e o medo era de estar cometendo algum pecado. Em uma das negociações, o padre Luiz Carlos foi claro, só não pode com malícia.  Malícia? Acho que estava todo mundo liberado.

Nesse período era muito comum também as superstições. Ainda se falava do lobisomem, que era visto perto do Cine Ivinhema nas quintas-feiras de quaresma. Teve um radialista conhecido que se deparou com um. Não era o do cinema. Mas o locutor ficou tão assustado, que ao invés de procurar a polícia, correu para o microfone da rádio e alertou a população sobre o homem lobo. Isso já era anos 90. Também aumentava na quaresma as aparições da Mulher do Algodão.

Essa assombração é um mistério. Só aparece em escola e no banheiro feminino. No Filinto Muller, onde eu estudava, ela dava as caras direto. As meninas saiam gritando. Uma vez, quase fui suspenso. A Sueli Molina ficou sabendo que no corre-corre de meninas gritando, eu teria me aproveitado para entrar no banheiro feminino. Eu me perguntava o contrário, como que os outros rapazes vendo a crise histérica das alunas, não entravam pra ver a tal Mulher.

A explicação que os entendidos de 12, 13 anos davam para essas aparições era a de que antes de haver cidade, aquele lugar era cemitério. O raciocínio perde o argumento quando constatamos que a assombração do Algodão também começou a aparecer na escola Reynaldo Massi. Acredito que lá, ela só ousou invadir o banheiro depois que a Dona Ana partiu.

A Dona Ana defendia aquela escola com unhas, dentes e vassouradas. Era só ver algo errado, moleque faltando com respeito, pulando muro ou fazendo algazarra, lá vinha ela com a vassoura. Levou a sério o cargo de zeladora, com a cara sempre fechada de que estava cumprindo uma missão. Duvido que algum lobisomem ou assombração teria a coragem de enfrentar a Dona Ana, na quaresma ou fora dela.

Ivi Hoje

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11/03/2013 às 19:35:43 - Luis Gustavo de Lucena Tokunaga
Parabens, pela Coluna, sou sobrinho da saudosa dona ana, e realmente ela defendia como nunca o colegio, Sucesso e obrigado por se lembrar da minha tia abraços.
15/03/2013 às 13:09:44 - Fernanda Belluci Lourenço Simões
Super parabéns pela coluna e pela matéria tão bem escrita que consegui voltar no tempo....estudei na escola Filinto Muller, como você sabe e também me deparei, não com a mulher do algodão (Deus me livre,rs), mas com as garotas histéricas saindo correndo do banheiro! E, quanto às brincadeiras (bailinhos), lembro de não poder dançar com o meu paquerinha (que você também sabe bem quem é ou quem foi) porque ele sim levava tão a sério o período da Quaresma que não dançava mesmo durante os 40 dias! Saudades do passado e das lendas que desaparecem cada vez mais ao longo dos anos!
18/03/2013 às 10:04:25 - Veronica
Quantas e quantas saudades desse tempo... Fernanda Belluci, quantos tempos não há vejo, a Ana Paula, da professora Cristina, de Educação Física, a professora Iara a minha saudação a todos os meus amigos, que estão por esse mundão afora. Saudades. Abraços a todos, que se lembra muito desse tempo muito bom, em que vivemos e presenciamos juntos. Parabéns! Ricardo, que Deus te conçeda sempre essa sabedoria.
21/03/2013 às 22:30:38 - Direitonews.com
Parabéns por esta coluna, que retrata muito bem uma época de ouro.. Nos anos 80 essa estória da menina do algodão já era famosa lá nos banheiros do Colegio Estadual Fernando de Azevedo e outros de Sanza.
04/04/2013 às 23:12:11 - ROSA BULCAO
Rica, só de ler sua coluna já fiquei com medo da mulher de algodão...eu muitas vezes ia embora para casa com a bexiga quase "estourando" de vontade de fazer xixi, pois não tinha coragem de entrar no banheiro da escola, devido ao medo dessa "assombração". kkkkkkkk Bons tempos.... Bjao
17/10/2013 às 11:21:44 - EDSON D'SANTANA
olha não gosto muito de ler! mais essa adorei ler algo sobre a minha cidade, ótima coluna! parabéns pelo trabalho de vocês!
21/11/2013 às 13:08:32 - Rafael Trevisan
Ricardo, Que bom ser lembrado em seu texto que, com a maestria e a sensibilidade que lhes são peculiares, nos remete aos bons e saudáveis anos que vivemos nossa adolescência. Satisfação lembrar das boas e animadas “festas de garagens” que, como bem lembrou você, em meu aniversário sempre “caia” no meio da quaresma. Saudades meu amigo. Orgulhoso de ter feito parte desse tempo, obrigado. Um grande abraço e que Deus continue iluminando sua mente brilhante! Rafael Trevisan
15/02/2014 às 19:36:58 - MARIA LUIZA DE SOUZA
Moro em Porto Velho capital de Rondônia e, estudei no Reynaldo Massi nos anos 80 e essa tal mulher do algodão que aparecia nos banheiros feminino vestida toda de branco isolando a boca com algodão já existia na época pois, fui surpreendida ao entrar no banheiro quase derrubada por meninas correndo dizendo que a mulher de branco estava a tras da porta . Nossa!! sempre procuro algo de Ivinhema para ler e encontrei essa matéria magnifíca q me fez recordar o passado em tempo de escola. kkkkkkkk Parabéns ! história nunca escrita < adoreiii!
07/03/2015 às 14:07:36 - ANGELA MARIA DO NASCIMENTO
ADOREI RECORDAR O PASSADO EM QUE TAMBEM VIVENCIEI ESSA ASSOMBRAÇAO DA MULHER DO ALGODAO,MORRIA DE MEDO .
07/03/2015 às 14:07:43 - ANGELA MARIA DO NASCIMENTO
ADOREI RECORDAR O PASSADO EM QUE TAMBEM VIVENCIEI ESSA ASSOMBRAÇAO DA MULHER DO ALGODAO,MORRIA DE MEDO .
26/01/2018 às 15:57:47 - Rosa Maria Santos Bertollo
Sai de Ivinhema em 1979 e estudava na Escola Estadual de 1º e 2º graus Reynaldo Massi. Lembro-me que chamávamos a mulher que diziam que aparecia no espelho do banheiro feminino (nunca a vi) de mulher de branco e ela aparecia, segundo várias colegas, muitas vezes. Evitávamos olhar no espelho. Acho que era lenda para as meninas não ficarem muito no banheiro se olhando no espelho. A verdade é que tínhamos medo de ir ao banheiro sozinhas. Morei em uma casa vizinha à da Dona Ana na Avenida Honduras, que, infelizmente, por ser tão zelosa era chamada de Dona Ana Banana pela molecada no colégio. Ela e sua filha Rosária trabalhavam juntas no colégio. Ela tinha um filho chamado Anderson e outro, se não me engano, chamado Luiz Carlos e uma sobrinha com quem eu brincava, mas era muito mais nova que eu, chamada Sheila.

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