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Coluna da Semana: À tarde no Cine Ivinhema

Por Ricardo Pieretti Câmara Jornalista, Doutor em Humanidades e Presidente da Fundação Nelito Câmara

Ivi Hoje
17/05/2013 às 10:14:00
Foto: Angelo de Oliviera
Nas décadas antes da internet, anos anteriores ao DVD, dias antecedentes ao vídeo cassete, assistir filmes era um evento. Que acontecia apenas no Cinema. As mulheres se arrumavam mais que de costume, os homens se alinhavam para acompanhar as damas e toda a sociedade se encontrava no Cine Ivinhema. Antes dele, existiu a sala da Avenida Honduras e até a Vila Cristina contava com sua caixa de sonhos.

O bar de Seu Zé Mendonça continha em seus fundos a cortina que dividia o estabelecimento. Na frente ficava o balcão com bebidas e petiscos, além de alguns secos e molhados. Na parte de trás, bancos de madeira acomodavam os cristinenses que assistiam aos clássicos na pequena tela improvisada.


O Cine Ivinhema era enorme. Na minha cabeça de criança, era dele o maior corredor do mundo e para respeitar o nome só passávamos por ele correndo. As cadeiras também de madeira faziam tantas filas que para mim eram mais de mil. A tela era soberba. Ficava em cima de um palco, onde nos finais de ano, as pessoas recebiam seus diplomas. Eu assistia àquelas formaturas com o mesmo encanto que via os filmes. E na minha mente deslumbrada, eu pensava, um dia chego lá.


O maior mistério daquele salão ficava ao fundo, na parte de cima. Um cômodo escuro, servido por uma escada de madeira e cortinas de veludo. Só entravam poucos adultos ali. De lá saíam as imagens que contariam suas histórias na grande tela. Depois de receber o diploma, eu também poderia subir aquela escada e ver o lugar onde os sonhos se escondiam.


Também faziam parte do Cinema, o Oswaldão, que ficava na portaria e a Olga Marciano, a baleira. Pra mim não tinha profissão mais bonita que a de baleira. Acho que o diploma que eu queria receber naquele aquele palco era o de Baleiro. Pensava no poder que era cuidar daquilo que todas as crianças queriam: as balas e confeitos. Mais poderoso era só o Oswaldão. Diziam que só ele podia mexer no PROJETOR. Eu não sabia o que era isso, mas deveria ser coisa muito importante.


Acho que naquele tempo também não existia moda e, principalmente, não existia fora-de-moda. Os filmes se repetiam com a mesma graça. O único inconveniente era que a cada ano, cortava-se um pedaço dele. Deixei de ir ver o Tarzan depois que seu grito mais famoso foi para o lixo, num pedaço do rolo corrompido. A Paixão de Cristo também estava na moda todos os anos. Neste caso, os rolos cortados eram benéficos, pois diminuíam a cada sessão o sofrimento de Nosso Senhor.


Eu ficava pequenino naquelas cadeiras dobráveis. Gostava de estar na primeira fila. Olhava de baixo daquela imensidão de tela, onde os ratinhos Bernardo e Bianca viravam gigantes e dançavam na chuva e corriam perigos e enchiam de sonhos aquelas tarde compridas de antigamente.

Ivi Hoje

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20/05/2013 às 14:13:17 - Valdemar Angelo
Tempo Bom...traz saudades. Parabéns Ricardo pelo texto.
05/12/2013 às 20:08:08 - luiz
nao esquecendo de citar que o dono do cinema paulo rodriguez dos santos in memorian ex prefeito de ivinhema,nos alugavam para os festivais de formando nos quais ivinhema sempre foi celeiro de bons cantores e cantoras .

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