Publicado em: 28/11/2025
Em Mato Grosso do Sul, o número de mortes deve superar os de nascimentos nos próximos anos
A expectativa de vida da população brasileira voltou a crescer e chegou a 76,6 anos em 2024. Para se ter uma ideia, em 1940, a expectativa era de 45 anos. Para os homens, passou de 73,1 para 73,3 anos, enquanto para as mulheres subiu de 79,7 para 79,9 anos, alta equivalente a dois meses.
Os dados da pesquisa Tábuas de Mortalidade, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontam para um aumento de 2,5 meses em relação a 2023. O indicador segue em recuperação após a queda registrada durante a pandemia de covid-19, quando a expectativa de vida ao nascer caiu para 72,8 anos em 2021 (69,3 anos para homens e 76,4 anos para mulheres). Com o fim da pandemia, o país voltou a registrar progressões anuais a partir de 2022.
O salto da longevidade no Brasil se destaca quando analisado em perspectiva histórica. Em 1940, um recém-nascido viveria, em média, 45,5 anos. O avanço de mais de nove décadas elevou a expectativa para 76,6 anos, ou seja, 31,1 anos a mais.
No cenário internacional, Mônaco lidera o ranking da longevidade, com expectativa de 86,5 anos. Em seguida, aparece San Marino (85,8), Hong Kong (85,6), Japão (84,9) e Coreia do Sul (84,4 anos).
Mortes devem superar os nascimentos em MS
Em Mato Grosso do Sul, o número de mortes deve superar os de nascimentos a partir de 2050, conforme a pesquisa Projeções da População – Revisão 2024, divulgada no ano passado. A estimativa indica que o número de nascimentos no ano passado foi de 39.414, enquanto o número de óbitos totais chegou a 20.142. No entanto, daqui a 26 anos, o número de mortes deve superar o número de nascimentos.
São projetados 30.670 óbitos anuais e 30.390 nascimentos. Mais para frente, em 2070, a diferença será ainda maior: serão 38.404 óbitos e 24.567 nascimentos, conforme a estimativa.
Mortalidade infantil cai para 12,3 por mil nascidos vivos
Maternidade Santa Casa
Outro ponto positivo apresentado pela pesquisa é a taxa de mortalidade infantil no Brasil. Em 2024, o índice ficou em 12,3 mortes para cada mil nascidos vivos, uma redução expressiva diante de 1940, quando 146,6 crianças em cada mil não chegavam ao primeiro ano de vida.
A queda está ligada a diversos fatores. Entre eles, está a expansão das campanhas de vacinação, melhoria no pré-natal, estímulo ao aleitamento materno, atuação de agentes comunitários de saúde e programas de nutrição infantil. Avanços em renda, escolaridade e saneamento básico também tiveram impacto direto.
Conforme o IBGE, a redução da mortalidade infantil é um dos elementos que contribuíram para o aumento da expectativa de vida da população brasileira ao longo das últimas décadas.
Homens jovens têm risco até quatro vezes maior de morrer
Os dados do IBGE mostram que a sobre mortalidade masculina (quando homens morrem mais do que mulheres no mesmo grupo etário) segue concentrada entre jovens adultos. Em 2024, os índices foram de 3,4 vezes mais mortes entre homens de 15 a 19 anos; 4,1 vezes mais entre os de 20 a 24; e 3,5 vezes mais entre 25 e 29 anos.
Isso significa que um homem de 20 anos tem 4,1 vezes mais chance de não completar 25 anos do que uma mulher da mesma idade. O fenômeno é atribuído principalmente às causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e outras mortes violentas.
Historicamente, esse padrão não existia em 1940, quando as taxas eram equilibradas entre os sexos. A escalada da violência urbana a partir dos anos 1980 elevou drasticamente a mortalidade masculina, especialmente entre jovens, um fator que limita o crescimento da expectativa de vida dos homens no país.
Idosos vivem mais
A perspectiva de vida após os 60 anos cresceu de forma expressiva nas últimas décadas. Em 1940, quem chegasse aos 60 viveria, em média, mais 13,2 anos. Em 2024, esse número subiu para 22,6 anos, sendo 20,8 anos para homens e 24,2 anos para mulheres. No total, a longevidade desse grupo aumentou 9,3 anos desde 1940.
Assim como entre a população geral, o indicador sofreu impacto da pandemia, especialmente em 2020 e 2021, mas apresentou recuperação contínua desde 2022.
Entre os idosos de 80 anos, a expectativa de vida em 2024 cresceu 9,5 anos para mulheres e 8,3 anos para homens. Em 1940, esses valores eram de apenas 4,5 e 4 anos, respectivamente, o que evidencia um ganho mais acentuado para as mulheres.