Adolescente obrigada a se prostituir diz que mãe agendava até 'três programas ao dia' após ela cuidar de irmãos

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Mulher foi denunciada após bater e expulsar a filha de casa por causa de um programa sexual que não deu certo.

Durante a manhã, tinha que cuidar dos irmãos enquanto a mãe trabalhava. Já no período da tarde, tinha que fazer "de 2 a 3 programas ao dia", agendados pela suspeita em Campo Grande. Segundo a polícia, esta era a rotina da adolescente de 16 anos, desde janeiro deste ano. Ela prestou depoimento especial e, emocionada, contou o que ocorria em casa.

"A menina chorou durante o depoimento e se mostrou irritada e nervosa por ter que contar, repetir a história, então nós tivemos bastante cautela. Mas ela passou por atendimento psicossocial aqui na delegacia e disse que, desde janeiro, estava fazendo os programas durante a tarde. De manhã, tinha que cuidar dos irmãos menores enquanto a mãe trabalhava", afirmou a delegada Franciele Candotti, responsável pelas investigações.

Segundo a delegada, a mãe é quem "fazia o meio de campo", mantendo contato com clientes pelo WhatsApp e também por um aplicativo de conversas. "Ela disse que o valor era de R$ 50 a R$ 80, sendo que 60% ficava para a mãe. São ao todo 9 filhos, segundo a adolescente, sendo cinco deles adultos e que não moram mais com a mãe. Um deles ela não soube dizer e o restante mora com a mãe na mesma casa", explicou.

Como havia ferimentos no rosto da menina, ela foi encaminhada ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) e, em seguida, iria para um abrigo. Já a mãe, presa em flagrante na madrugada dessa quinta-feira (15), passou a noite em uma cela da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Nesta manhã (16) houve a audiência de custódia e, segundo a delegada, a mulher teve a liberdade provisória. O caso foi registrado como lesão corporal dolosa e favorecimento à prostituição.

Entenda o caso

Uma auxiliar de serviços gerais, de 41 anos, foi presa em flagrante após a filha de 16 anos ser expulsa de casa e ligar para a Polícia Militar. A adolescente disse aos militares que era obrigada a fazer programas sexuais e entregar o dinheiro para a mãe, o qual alegava que era para ajudar nas despesas da casa. O fato ocorreu na Vila Aimore, em Campo Grande.

"A menina disse que estava fazendo programas sexuais há algum tempo e, toda vez que o programa não dava certo, ela apanha da mãe e esta a colocava para fora de casa. Desta vez, cansada da situação, ela decidiu denunciar. A adolescente prestou depoimento, fez exame pericial por estar com lesões pelo corpo e foi para um abrigo", afirmou na ocasião a delegada Anne Karine, adjunta da Deam.

Segundo a delegada, a mãe negou os crimes e disse que a menina se "prostituía porque era muito rebelde". A suspeita ainda disse que a investigação poderia "pegar o celular dela para investigar".

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