Publicado em: 11/05/2026

Endividamento volta a crescer e 44,5% afirmam não conseguir quitar as contas em maio

Em abril de 2025, o endividamento era de 65,8%

Midiamax, Jennifer Ribeiro
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O cartão de crédito segue na liderança entre os tipos de dívidas mais comuns.

O endividamento de famílias campo-grandenses voltou a crescer em abril e atingiu 72%. O índice é superior ao registrado em março, quando o percentual era de 70,1%, e a diferença é ainda maior quando comparada a abril de 2025, quando o índice ficou em 65,8%.

Os dados foram apresentados na Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e divulgada nesta segunda-feira (11).

Segundo a pesquisa, o total de famílias endividadas em Campo Grande passou de 246,3 mil em março para 253 mil em abril. Também houve aumento entre os consumidores com contas em atraso, que passaram de 28% para 29,5% neste período, o equivalente a 103,6 mil famílias.

Assim como em meses anteriores, o cartão de crédito segue na liderança entre os tipos de dívidas mais comuns, citado por 66,6% dos campo-grandenses entrevistados. Carnês, crédito pessoal e financiamento de veículos aparecem em seguida, com 19,8%, 12,8% e 12,1%, respectivamente.

Das famílias endividadas, 41% possuem contas em atrasos. Deste total, 44,5% afirmam que não terão condições de quitar os débitos no próximo mês. O tempo médio de atraso ficou em 66 dias e quase metade dos consumidores inadimplentes possui contas vencidas há mais de 90 dias.

A pesquisa traz ainda dados sobre o comprometimento da renda. Em média, 29,4% do orçamento familiar está comprometido com dívidas. Para 14,2% dos entrevistados, mais da metade da renda mensal já está destinada ao pagamento de débitos.

“O aumento do endividamento não é necessariamente negativo quando existe capacidade de pagamento. O desafio está no crescimento das contas em atraso e no número de consumidores que já afirmam não conseguir quitar suas dívidas. Isso reforça a importância do planejamento financeiro e do uso consciente do crédito”, afirma a economista Regiane Dedé de Oliveira, do IPF-MS (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS).