Publicado em: 26/09/2026
União poderá comprar carteiras em leilão; programa deve beneficiar cerca de 15 milhões de pessoas
Dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil poderão ser renegociadas com desconto mínimo de 90% na terceira fase do Desenrola Brasil, anunciada nesta sexta-feira (25) pelo governo federal. O novo modelo permitirá que a União compre carteiras de débitos em leilão e repasse integralmente ao devedor o abatimento obtido na operação.
Poderão entrar no programa dívidas com mais de 720 dias e menos de 1.645 dias de atraso, período equivalente a cerca de dois anos a quatro anos e meio. O limite de R$ 10 mil considera o valor original do débito.
A expectativa é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis para compra pela União. Com a adesão parcial de credores e devedores, a estimativa é que R$ 75 bilhões sejam efetivamente renegociados e até 15 milhões de pessoas sejam beneficiadas.
O desconto obtido no leilão será repassado ao consumidor. Se uma carteira for comprada com redução de 90%, por exemplo, o mesmo abatimento será aplicado ao valor devido. O saldo poderá ser pago à vista ou parcelado com juros.
As condições do parcelamento ainda serão definidas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). O governo informou que serão destinados R$ 15 bilhões ao programa.
Os credores interessados participarão de leilões, que poderão ser divididos em lotes conforme o tipo de dívida. As propostas serão classificadas pelo maior desconto oferecido.
Cada instituição deverá entregar todos os créditos elegíveis de um mesmo devedor. Não será permitido selecionar apenas parte das dívidas que atendam aos critérios do programa.
A operação poderá contar com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. As instituições também poderão atuar por meio de fundos de investimento em direitos creditórios com participação da União.
A terceira fase foi criada por medida provisória assinada nesta sexta-feira (25), em São Paulo (SP). O texto altera as regras do programa e estabelece o novo modelo de compra das carteiras.
Dados do Tesouro Nacional mostram que o estoque de dívidas em atraso registradas nos birôs de crédito chegou a R$ 592 bilhões em agosto. O levantamento considera débitos com até cinco anos de inadimplência.
Ao todo, 83,9 milhões de pessoas estavam negativadas. Cada consumidor tinha, em média, quatro dívidas e R$ 7 mil em débitos.
Cerca de 55% do estoque correspondia a contas não bancárias, como água, energia, telefonia e compras no varejo. As dívidas de água, luz e energia representavam 20% do total.
Segundo o governo, as duas fases anteriores do Desenrola alcançaram 25 milhões de pessoas. A primeira teve mais de 8 milhões de operações, com R$ 53 bilhões renegociados e 15 milhões de pessoas e famílias atendidas.
A segunda fase registrou mais de 5,5 milhões de operações. Foram R$ 22 bilhões em dívidas renegociadas e 10 milhões de pessoas e famílias atendidas.
O cronograma prevê chamamento dos credores em novembro e entrega das propostas em dezembro. A homologação está prevista para janeiro de 2027.