Publicado em: 15/09/2026
Golpista monitorava conversas e afastou mulher de familiares
Uma mulher de 39 anos viveu três meses de terror quando foi mantida em cárcere privado, após cair em um golpe de um estelionatário do Tinder. A Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) investiga o caso em Campo Grande.
Na delegacia, a vítima contou que manteve um relacionamento amoroso, iniciado no mês de maio de 2026, após conhecê-lo pelo aplicativo de relacionamentos “Tinder”, passando, desde então, a morar com ele em sua própria residência. Com ela ainda viviam também seus três filhos.
A vítima contou que desde o início do relacionamento, o autor passou a exercer intenso controle sobre sua vida, monitorando-a constantemente e controlando com quem poderia conversar, bem como promovendo seu afastamento de familiares e amigos.
Segundo o relato, ele dizia que seus familiares e pessoas próximas estariam tramando contra sua vida, que desejavam seu mal e que somente ele seria uma pessoa em quem poderia confiar e que poderia ajudá-la.
O homem a teria enganado mostrando supostas capturas de tela — provavelmente criadas por IA — de conversas atribuídas a seu ex-companheiro e à sua própria mãe, nas quais, supostamente, seriam feitas afirmações negativas a seu respeito, inclusive no sentido de que ela seria uma “cruz” e um “fardo”, utilizando tais informações para convencê-la de que seus familiares lhe desejavam mal e para reforçar seu isolamento.
Controle financeiro
Ela ainda revelou que desde o início do relacionamento, também perdeu o controle sobre suas finanças. Esclarece que recebe aproximadamente R$ 11 mil mensais a título de pensão alimentícia paga por seu ex-marido, mas que, desde o início do relacionamento atual, deixou de ter acesso a esse dinheiro.
Segundo relata, ele dizia que seu ex-marido não estaria mais realizando os pagamentos e passou a controlar suas contas bancárias. O autor teria se apoderado de seu celular, no qual estavam instalados os aplicativos bancários, passando a administrar e movimentar suas contas.
Afirma que não possuía mais livre acesso aos valores e que ele realizava movimentações e saques sem que ela tivesse qualquer controle sobre suas próprias finanças, e o autor justificava a situação afirmando que possuía valores elevados retidos perante a Receita Federal, e que seriam liberados futuramente.
A mulher ainda contou que o homem passou a exercer controle dentro de sua própria casa, inclusive limitando o contato dela com seus filhos, determinando sobre o que poderia conversar com eles e restringindo sua atuação nos cuidados de seu filho com deficiência física e mental.
Autor preso a 2 quadras da delegacia
Ainda na delegacia, a mulher contou que se sentia extremamente pressionada e com medo de contrariá-lo, que já a havia agredido fisicamente. Enquanto prestava seu depoimento, ela relatou que se sentia preocupada porque o autor estaria aguardando nas proximidades e sua filha de 8 anos permanecia com ele no veículo.
Durante as diligências, os policiais localizaram e abordaram o autor, o qual havia estacionado o veículo aproximadamente duas quadras desta delegacia.