Publicado em: 30/10/2026

Flávio diz que fugiu do Brasil para não virar "moeda de troca" do sistema

Senador relata decisão após ordem de Moraes, defende Rogério Marinho no Senado e fala em nova eleição

CampoGrandeNews, Gustavo Bonotto
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em transmissão ao vivo feita nesta sexta-feira. (Foto: Reprodução/Instagram)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (30) que decidiu deixar o Brasil por acreditar que poderia ser usado como “moeda de troca” em negociações envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, ele fez uma transmissão ao vivo dos Estados Unidos, negou que a fuga represente fraqueza e acusou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de perseguição política.

O parlamentar, no entanto, não apresentou provas das alegações de fraude eleitoral, perseguição política ou aparelhamento das instituições feitas durante a conversa ao vivo.

Durante a transmissão, Flávio contou que tomou a decisão após visitar o pai, que cumpre prisão domiciliar, na manhã de segunda (26), um dia depois do segundo turno. Segundo ele, agentes da Polícia Federal o aguardavam na saída da residência para comunicar uma decisão de Moraes que determinava a apreensão de seus passaportes e o proibia de deixar o país.

“Então, eu olhei para a cara dele e falei: ‘Pai, começou a perseguição’. Até um pouco antes do que eu imaginava que começaria, porque todos sabem que o Brasil hoje vive um regime de exceção”, afirmou.

O senador disse que Jair Bolsonaro acompanhou a comunicação da ordem judicial e demonstrou preocupação com o futuro do filho. Segundo Flávio, o ex-presidente pediu que os policiais se afastassem para uma conversa reservada e perguntou se ele compreendia as consequências da medida. O parlamentar afirmou que, ao voltar para casa, conversou com a esposa, Fernanda Bolsonaro, e decidiu sair do Brasil com a família.

Flávio relacionou a viagem ao receio de que sua situação judicial pudesse servir como instrumento de pressão política.

“Eu perdi para o sistema, não perdi para o meu adversário. Todo mundo aí sabe disso. Então, eu falei que eu não me submeteria a isso. Isso não é nenhum sinal de fraqueza não, gente. Eu posso ser tudo menos burro. Eu soube fazer análise de cenário, entendi onde é que eles chegariam”, declarou.

O senador afirmou que não pretende abandonar a política e que considera sua permanência nos Estados Unidos uma forma de continuar se manifestando publicamente. Também disse que nenhum integrante de sua campanha participou da decisão de deixar o país.

“A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse. Até porque, se soubesse, a chance de dar errado seria maior. Então, de verdade, não apontem o dedo para ninguém”, afirmou, ao pedir que seus apoiadores não responsabilizem outras pessoas pela viagem.

Ao comentar a atuação do Judiciário, Flávio acusou Moraes de tentar intimidá-lo e questionou uma investigação sobre supostas ligações com contas bancárias de um amigo. O senador negou qualquer irregularidade e afirmou que documentos de uma instituição financeira afastariam seu envolvimento. Ele não apresentou esses documentos durante a transmissão.

Flávio também voltou a colocar em dúvida o resultado da eleição presidencial. Sem apresentar provas de fraude, afirmou que houve situações que considera incompatíveis com uma disputa regular e acusou Lula de abuso de poder político e econômico durante a campanha.

“Muitas coisas estão sem explicação nessas eleições, matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real, sem que houvesse, como eu falei, algum gol de mão”, declarou. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proclamou a vitória de Lula no segundo turno.

Senado e nova eleição - Flávio afirmou que pretende concentrar sua atuação política na articulação da oposição no Congresso Nacional. Ele anunciou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado e pediu que os eleitores cobrem seus representantes.

“A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal. E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a presidência do Senado Federal. Vamos cobrar dos senadores que vocês votaram para que votem em Rogério para a presidência do Senado”, disse.

O parlamentar também fez previsões negativas para a economia brasileira durante o novo governo Lula. Segundo ele, as dificuldades econômicas poderão provocar desgaste político e comprometer a continuidade do mandato presidencial. As declarações foram apresentadas como avaliação pessoal, sem dados que comprovassem o cenário anunciado.

“Eu acho que esse é um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República muito antes do que muita gente imagina. Então, eu quero pedir para vocês aqui ficarem firmes. Não acabou o jogo. Vamos continuar lutando”, afirmou.

Ao agradecer os quase 60 milhões de votos que recebeu, Flávio declarou estar disposto a concorrer novamente à Presidência e mencionou a possibilidade de uma eleição antes de 2030. Ele não explicou de que forma ou em quais circunstâncias isso poderia acontecer.

“Isso me dá muita força, isso me dá muita consciência e ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for, para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República. Eu não tô falando de 2030, não. Eu tô falando de antes disso”, afirmou.

No encerramento, o senador disse que pretende retomar as manifestações pelas redes sociais e continuar articulando a oposição enquanto estiver fora do Brasil. Também afirmou que não sabe quando poderá retornar ao país ou rever o pai..