Publicado em: 17/05/2026
Previsão é de temperaturas acima da média histórica e chuvas irregulares no Estado
Mesmo com registros de temperaturas negativas em cidades de Mato Grosso do Sul na última semana, a tendência para o inverno de 2026 é de um frio menos rigoroso no Estado. A previsão climática aponta que o trimestre entre junho, julho e agosto deve ser marcado por temperaturas acima da média histórica e chuvas irregulares em diferentes regiões.
Assim, o cenário climático para os próximos meses indica que algumas cidades podem registrar chuva acima da média, enquanto outras devem enfrentar precipitações abaixo do esperado. Há ainda regiões em que os volumes de chuva devem ficar dentro do normal, caracterizando um padrão de irregularidade já observado ao longo dos últimos meses.
O meteorologista do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) Vinícius Sperling explica que, apesar da previsão de temperaturas mais elevadas, o avanço de massas de ar frio não está descartado. “Episódios de queda acentuada nas temperaturas ainda devem ocorrer, principalmente durante a passagem de frentes frias, fenômeno típico do inverno no Centro-Oeste.”
De acordo com o meteorologista, “o cenário é influenciado principalmente pela formação do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico e que já apresenta alta probabilidade de consolidação nos próximos meses”.
Conforme as projeções climáticas para o trimestre, a chance de formação do El Niño entre junho e agosto chega a cerca de 92%. A tendência é de que o fenômeno ganhe força ao longo do segundo semestre de 2026, aumentando a influência sobre as temperaturas em Mato Grosso do Sul.
Vinícius explica também que o El Niño costuma impactar mais o aumento das temperaturas do que propriamente o volume de chuvas. Por isso, o especialista fala sobre a possibilidade de períodos prolongados de calor, principalmente no fim do inverno e início da primavera.
Estiagem em Mato Grosso do Sul
A previsão também reforça a preocupação com a estiagem, já que, historicamente, o período entre junho e agosto já é marcado por pouca chuva no Estado. “Uma coisa importante destacar é que nesse trimestre de junho, julho e agosto, já se espera uma redução significativa das chuvas aqui no Estado, por mais que alguns municípios possam ter chuvas acima da média, isso não vai reverter um cenário de déficit de chuva que a gente vem enfrentando ao longo dos últimos anos, como a recuperação do nível do Rio Paraguai”, explica ele.
“Mesmo que chova um pouquinho acima nesse trimestre em algumas regiões, isso não vai reverter um cenário, porque, climatologicamente, já se espera pouca chuva nesse período. Então essa condição de precipitações irregulares, temperaturas mais quentes, é muito influenciada então pela atuação do fenômeno neoníaco”, diz.
Com isso, o inverno de 2026 deve alternar entre episódios pontuais de frio intenso e períodos mais longos de calor.