Publicado em: 26/01/2026
Foram definidos períodos de plantio e critérios climáticos
O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) aprovou o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) para a cultura da cana-de-açúcar, destinada à produção de açúcar e etanol, em sistema de cultivo de sequeiro (sem irrigação). A medida abrange Mato Grosso do Sul e outras 20 Unidades da Federação. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União, desta segunda-feira (26).
De acordo com o levantamento técnico que embasa o zoneamento, a área ocupada com cana-de-açúcar no Brasil manteve-se relativamente estável na última década, variando entre 9,1 e 10,2 milhões de hectares.
A produção concentra-se majoritariamente na região Centro-Sul, responsável por cerca de 90% dos cultivos, com liderança do estado de São Paulo. Mato Grosso do Sul aparece como um dos principais polos, respondendo por aproximadamente 8% da área plantada nacional, ao lado de Goiás e Minas Gerais.
O zoneamento estabelece parâmetros técnicos para reduzir riscos climáticos e orientar produtores quanto aos períodos mais adequados de plantio. A cana-de-açúcar apresenta melhor desenvolvimento em temperaturas médias entre 28°C e 34°C. Temperaturas acima de 35°C ou abaixo de 25°C reduzem o crescimento, sendo praticamente nulo quando ultrapassam 38°C.
Em Mato Grosso do Sul, a atenção se volta especialmente às regiões do sul do estado, onde há maior probabilidade de ocorrência de geadas. Com isso, nos municípios classificados com risco de 30 a 40%, devem ser evitados terrenos que favoreçam o acúmulo de ar frio, pois esses fatores aumentam significativamente o risco de danos à lavoura.
Ainda de acordo com a publicação, para definir o risco climático da produção, o Mapa considerou três critérios principais: Probabilidade de obtenção de produtividade superior a 65 toneladas por hectare, com referência de 135 kg de Açúcar Total Recuperado por tonelada de colmo; risco de ocorrência de geada forte (-2°C) inferior a 20% durante todo o ciclo; e probabilidade de condições desfavoráveis de regime pluviométrico e de excesso hídrico no período de colheita.
O zoneamento também estabelece restrições quanto às áreas não indicadas para o cultivo, como áreas de preservação permanente, solos rasos ou excessivamente arenosos, áreas sujeitas a alagamentos, solos muito pedregosos e regiões que não atendam à legislação ambiental ou ao ZEE (Zoneamento Ecológico-Econômico).
Os períodos de plantio são indicados em intervalos de dez dias, considerando um tempo médio de emergência das plantas entre cinco e dez dias após a semeadura. Em casos excepcionais de atraso na emergência, o produtor deve considerar o risco climático do decêndio imediatamente anterior.
Os produtores de Mato Grosso do Sul podem consultar a relação de municípios aptos e os períodos recomendados de plantio por meio do Siszarc (Sistema de Zoneamento Agrícola de Risco Climático), do Painel de Indicação de Riscos do ZARC.