Um laudo pericial diagnosticou Adélio Bispo — encarcerado em Campo Grande — com esquizofrenia paranoide e recomendou a internação dele em um hospital psiquiátrico. Adélio está preso pelo atentado contra o então candidato à presidência da República Jair Bolsonaro, em 2018.
O laudo foi encaminhado à 5ª Vara Criminal de Campo Grande e aponta uma piora significativa no quadro de saúde mental de Adélio nos últimos sete anos, com aumento de alucinações e maior comprometimento da realidade. Em 2019, ele passou por uma perícia e foi considerado inimputável, sendo classificado com transtorno delirante permanente paranoide.
Conforme publicado pelo Metrópoles, a perícia foi feita a pedido da DPU (Defensoria Pública da União) para responder três questões consideradas essenciais, visando avaliar se o acusado teria condições de deixar o presídio.
Assim, ele foi submetido ao exame em novembro passado, ocasião em que os peritos concluíram que a permanência em presídio federal não é indicada. Portanto, sugerem encaminhamento ao Caps (Centro de Atenção Psicossocial) em Montes Claros (MG), cidade natal de Adélio.
Em 2024, o Jornal Midiamax noticiou que o acusado deveria deixar a Capital sul-mato-grossense em julho daquele ano, mas ele continua encarcerado na cidade.
O laudo revela o diagnóstico de esquizofrenia paranoide e explica que o detento apresenta risco contínuo de periculosidade, não pode conviver sem medidas de segurança e não possui perspectiva de melhora na cadeia. Por isso, os peritos recomendam a internação dele em hospital psiquiátrico de custódia.
O acusado do atentado contra Bolsonaro não reconhece que está doente e não entende a necessidade de tratamento médico. Ele também apresenta delírios estruturados de natureza religiosa, política e persecutória — todos ativos nas fases de acompanhamento institucional, segundo o Metrópoles.
Além disso, Adélio tende a permanecer sozinho, evita banho de sol em coletividade e teme interação com outros presos. O laudo revelou ainda que o ambiente prisional contribui para a manutenção e o agravamento do quadro de saúde do acusado.
Facada contra Bolsonaro
Em 6 de setembro de 2018, Bolsonaro participava de caminhada com apoiadores em Juiz de Fora (MG), quando foi esfaqueado na barriga por Adélio, em um lance visto como fundamental para a disputa eleitoral daquele ano — na qual ele venceu Fernando Haddad (PT) no segundo turno. Desde então, o presidente pressionou para que fosse apontado quem seria o mandante.
Apesar da argumentação do presidente, as investigações da Polícia Federal concluíram que Adélio Bispo agiu sozinho, provavelmente motivado pelo transtorno delirante permanente — que justificou o argumento judicial de que ele é inimputável.
Sobre a facada contra Jair Bolsonaro em 2018, todas as avaliações e até as perícias mais recentes indicam que ocorreu durante um “surto psicótico com evidente incapacidade de autocrítica”.









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