Cerca de 250 servidores estaduais ocuparam o plenário da Assembleia Legislativa na manhã desta terça-feira (31-3) em protesto contra o reajuste de 3,81% da RGA (Revisão Geral Anual). A sessão foi acompanhada por um público acima da capacidade, com parte dos manifestantes concentrada no saguão por falta de espaço.
Organizado pelo Fórum Estadual dos Servidores, o ato reúne representantes de diversas categorias, incluindo educação, segurança pública e saúde, com participação de sindicatos como Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) e Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis). Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes criticam o percentual aprovado e pedem reajuste com ganho real, acima da inflação.
Entre as reivindicações expostas em placas estão frases como “RGA com ganho real”, “reposição acima da inflação”, “concurso público já” e críticas à terceirização. O objetivo, segundo os organizadores, é marcar posição após a sanção da lei e pressionar o governo a retomar o diálogo.
O reajuste foi aprovado pela Assembleia na última semana e sancionado pelo governador Eduardo Riedel (PP) na segunda-feira (30). A medida abrange cerca de 86 mil servidores ativos e inativos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de aposentados, pensionistas, militares estaduais inativos e instituições com autonomia financeira, como o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e a Defensoria Pública. Os efeitos financeiros passam a valer a partir de 1º de abril.
Coordenador do Fórum Estadual dos Servidores, Ricardo Bueno afirmou que a principal crítica é a falta de negociação com as categorias. “O reajuste veio sem diálogo. Ninguém foi ouvido. O governo simplesmente enviou a revisão geral”, disse.
Ele também questionou a política fiscal do Estado. “Como o governo alega dificuldade financeira e, ao mesmo tempo, concede isenções fiscais que passam de R$ 11 bilhões, podendo chegar a R$ 13 bilhões? Esse valor é maior do que o investimento em áreas como saúde, educação e segurança”, afirmou.
Segundo o sindicalista, há categorias em mobilização, como servidores do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), que já estão em estado de greve. “Estamos com muitos problemas, principalmente na saúde. O que queremos é abrir um canal de diálogo para discutir um reajuste que realmente recomponha as perdas”, completou.
Conforme Mário Jurado, vice-presidente do Sinpol e coordenador do Fórum Estadual dos Servidores, o protesto busca chamar a atenção do governo para as perdas salariais acumuladas nos últimos anos. Ele afirma que o reajuste de 3,81% não recompõe o poder de compra dos trabalhadores. “O índice segue dados oficiais e não é isso que estamos questionando. O problema é que ele não reflete as perdas reais que tivemos ao longo do tempo. No ano passado, a reposição foi de pouco mais de 5% e, agora, 3,81% continua abaixo do necessário”, explicou.
Mário destaca que a defasagem salarial vem de anos anteriores. “Se considerarmos os últimos anos, houve perdas que nunca foram recuperadas. Isso impacta diretamente o poder aquisitivo do servidor”, afirmou.
De acordo com ele, a mobilização também busca pressionar pela retomada do diálogo com o governo, mesmo após a sanção da lei. “A reposição da inflação é importante, mas precisa ser compatível com o que foi perdido. Nossa intenção é negociar para avançar nesse ponto”, completou.










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