Mistura de álcool e remédios pode agravar danos ao fígado

Analgésicos e antiácidos usados após beber sobrecarregam o organismo

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Medicamentos utilizados para combater a ressaca (Foto: Alex Machado)

O Carnaval chegou, nesta sexta-feira (13), e as farmácias já exibem nas prateleiras os chamados “kits ressaca”, combinações de medicamentos que prometem aliviar dor de cabeça, enjoo, azia e mal-estar depois do consumo de álcool. A praticidade, porém, pode esconder riscos à saúde.

Segundo o professor Jhonatan Gama, do curso de Farmácia da Estácio, a principal preocupação é a associação entre bebida alcoólica e remédios. “Depois de beber, o fígado já está sobrecarregado, e o uso de analgésicos pode aumentar a toxicidade no organismo”, explica.

Durante o período de festas, muitas pessoas recorrem a esses produtos para tentar “aguentar o ritmo” ou minimizar os efeitos da ressaca no dia seguinte. Os kits costumam incluir analgésicos, anti-inflamatórios e antiácidos, além de sais de frutas à base de bicarbonato, usados para aliviar a acidez estomacal.

O problema, segundo o professor, é que algumas fórmulas populares contêm ácido acetilsalicílico, substância que pode irritar o estômago quando usada sem orientação. O uso frequente ou em combinação com álcool pode aumentar o risco de gastrite e até úlceras. “Diminui a proteção gástrica e aumenta a chance de úlcera e gastrite”, afirma.

Ele chama atenção ainda para as misturas feitas de forma aleatória. Combinar analgésicos, anti-inflamatórios e antiácidos não acelera necessariamente o alívio e pode agravar os efeitos colaterais. Entre as associações mais preocupantes, cita a combinação de produtos como Engov e Sonrisal, que reúne substâncias capazes de reduzir a proteção natural do estômago.

Além do sistema digestivo, o fígado também pode sofrer impactos. A sobrecarga causada pelo álcool pode ser agravada pelo uso de determinados medicamentos, como o paracetamol. O alerta é que nem sempre os danos são perceptíveis imediatamente. Em alguns casos, apenas exames de sangue conseguem identificar alterações no funcionamento do órgão.

O professor reforça que não existe fórmula milagrosa para evitar a ressaca. “Não existe ‘kit ressaca’. O melhor mesmo é beber socialmente, se for beber, e sempre com água por perto”, orienta.

Entre as recomendações consideradas mais seguras estão a moderação no consumo de álcool, a alternância com água, hidratação com água de coco e repouso. O álcool interfere no funcionamento dos rins e aumenta a eliminação de líquidos, favorecendo a desidratação, um dos principais fatores ligados aos sintomas da ressaca.

A orientação final é evitar a automedicação e buscar orientação profissional antes de utilizar qualquer medicamento para aliviar sintomas após ingestão de bebida alcoólica. Em períodos de festa e excessos, informação e prevenção continuam sendo as medidas mais eficazes para reduzir riscos à saúde.

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