Quando foi a última vez que você precisou sacar dinheiro? Para muitos jovens, esse momento simplesmente nunca chegou. A situação ganhou repercussão após um post viralizar no X (antigo Twitter) e revelar algo que, para gerações mais velhas, pode parecer improvável: jovens não sabem sacar dinheiro em caixas eletrônicos.
Na publicação, que já soma mais de 200 mil visualizações, dois amigos conversam sobre terem se tornado adultos na era digital e como isso dificultou tarefas básicas, como sacar dinheiro — algo que nenhum dos dois sabia fazer. A solução? Recorrer a um tutorial no YouTube.
Nas redes sociais, as reações variaram entre identificação e crítica. “Eu percebi que esse negócio é da época dos incas e dos maias quando fui mexer pela primeira vez”, brincou uma internauta. “Eu, sem saber depositar… no dia que fui, passei tanta vergonha”, relatou outro.
Um em cada quatro jovens de 18 a 25 anos nunca sacou dinheiro
A situação, contudo, é o retrato de uma geração que cresceu resolvendo praticamente tudo pelo celular. Com a popularização do Pix, dos pagamentos por aproximação e bancos digitais, o uso de dinheiro em espécie caiu drasticamente no Brasil.
Nesse cenário, muitos jovens na faixa dos 20 anos simplesmente nunca precisaram recorrer a um caixa eletrônico para realizar movimentações bancárias. Hoje, um a cada quatro brasileiros de 18 a 25 anos nunca sacou dinheiro.
É o que aponta o levantamento “A Nova Relação com o Dinheiro”, realizado pela Nubank em 2024. A pesquisa mostra ainda que 14% dos jovens nessa faixa etária nunca haviam realizado um saque, enquanto 26% nunca fizeram um depósito em caixa eletrônico.
Entre os entrevistados com mais de 61 anos, os chamados baby boomers, os índices caem para 3% (saque) e 19% (depósito), respectivamente. O estudo, realizado pela internet com 1.800 pessoas no Brasil, México e Colômbia, também aponta que 66% dos brasileiros utilizam aplicativos bancários para pagar contas e consultar saldos, com o Pix aparecendo como o serviço mais utilizado em todas as gerações.
Consequências de uma vida ‘100% conectada’
Se antes adolescentes aprendiam a usar caixas eletrônicos acompanhando pais ou responsáveis, hoje o contato com esse tipo de serviço se tornou cada vez mais raro. O resultado é uma inversão curiosa. Tarefas consideradas básicas por gerações anteriores passaram a exigir aprendizado ativo dos mais jovens.
“Sem saber depositar, no dia em que fui, passei tanta vergonha que deixei para minha mãe essa tarefa”, relatou um dos comentários nas redes sociais.
As reações, no entanto, são divididas. “O caixa eletrônico literalmente explica”, escreveu um perfil.
Já outro criticou: “Não é possível que chegamos a esse nível”.
Apesar das críticas, especialistas apontam que o fenômeno não indica falta de capacidade, mas sim uma mudança de contexto. Quando uma tecnologia deixa de ser utilizada no dia a dia, ela também deixa de ser aprendida.
“Trata-se de um novo comportamento observado entre as gerações Z e Alpha, que priorizam soluções digitais, práticas e personalizadas”, destaca pesquisa da Nubank.
Essa transformação já impacta até a forma de presentear. De acordo com o levantamento, transferências via Pix com mensagens temáticas, como “presente de Natal pra você” ou “feliz Ano Novo!”, triplicaram entre outubro e novembro de 2025.
Confira como realizar um saque
Para quem nunca fez um saque ou quer evitar perrengue, o passo a passo é simples:
Insira o cartão – coloque o cartão no local indicado (ou aproxime, se houver opção por NFC).
Digite sua senha – use o teclado para inserir a senha da conta.
Escolha a opção “Saque” – no menu da tela, selecione “Saque” ou “Retirada”.
Defina o valor – digite quanto deseja retirar (ex: R$ 50, R$ 100).
Confirme a operação – revise o valor e confirme.
Retire o dinheiro – a máquina liberará as notas; pegue o dinheiro e aguarde o cartão ser liberado (em alguns caixas, ele sai antes).
Além disso, é importante se atentar a medidas de segurança ao utilizar caixas eletrônicos. Entre as principais recomendações, estão dar preferência a terminais localizados dentro de agências bancárias ou em locais movimentados, não aceitar ajuda de estranhos, cobrir o teclado ao digitar a senha e verificar se há dispositivos suspeitos instalados no equipamento.









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