Professora Denir usa a tribuna e fala sobre a violência contra mulheres

"Mês de agosto, o Brasil veste lilás para lembrar, para gritar e para lutar contra violência que tem nome, violência doméstica e feminicídio", pontuou a parlamentar

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Em 2024, foram 35 feminicídios. Imagem / Reprodução / A.C.M.I.

Inscrita com protocolo nº 751, a vereadora Valdenir Martins –Professora Denir (PSD), usou a tribuna para relatar sua indignação com os números alarmantes de feminicídio em Mato Grosso do Sul.

“Hoje eu uso essa tribuna, meu Deus, com o coração apertado. Não para falar de obras, estradas, quebra-molas, iluminação, não. Mas, não essas demandas do dia a dia, mas para falar de vidas, de mulheres, de mães, de irmãs, de amigas que tiveram seus sonhos arrancados de forma cruel, de não poderem gritar e que foram silenciadas. Uma dor que atravessa famílias que cala sonhos e que insiste em repetir dia após dia nas manchetes, nas delegacias e, infelizmente, nos áreas do Brasil. No mês de agosto, o Brasil veste lilás para lembrar, para gritar e para lutar contra violência que tem nome, violência doméstica e feminicídio.

O nosso Estado, tristemente, ocupa os primeiros lugares desse ranking vergonhoso. Nós vamos falar, não vamos falar de número, vamos falar de mulheres que tinha vida inteira pela frente que foram arrancadas do convívio dos seus filhos, suas mães, seus amigos, por causa do machismo, falta de controle, de ciúme e do silêncio. De janeiro a agosto deste ano de 2025, 21 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso do Sul, pelo simples fato de serem mulheres. Só no mês de maio, seis mulheres foram assassinadas. E foi um mês mais violento dos últimos dez anos. E os mais cruéis foram de Vanessa Eugênia que perdeu a vida junto com a filhinha de dez anos Sofia Eugênia. Tão pequenina que perdeu a vida mesmo antes de aprender a falar. Em 2024, foram 35 feminicídios.

O nosso Estado liderou a taxa nacional com 12,6% à frente de Mato Grosso e Rondonia. Somos o maior índice de feminicídio por habitantes. Isso não é uma estatística. São vidas, são vidas. Um grito de socorro. Por isso, Agosto Lilás, não é uma campanha, é uma chamada de consciência. É um alerta que precisamos agir e agora precisamos educar nossos meninos desde cedo a respeitar as meninas, a respeitar as meninas sinal de caráter, de amor. Em vez de soltar os bodes, como dizia antigamente, que deve estar soltos em nossas casos, respeito, o cuidado é responsabilidade entre homens e mulheres. Violência contra a mulher, a tolerância é zero. Respeito é o único caminho. Então eu, como mulher, vereadora, mãe, avó, educadora, que já fui, não podia deixar de passar essa última sessão do mês de Agosto para falar desse tema tão delicado.

Finalizo essas minhas fala, pedindo que cada um aqui e pare e reflita. Quantas mulheres você conhece que foram vítimas de violência? Quantas vezes você ouviu gritos e fingiu que não ouviu? Quantas vidas ainda vão perder até que a gente diga basta? Agosto Lilás nos lembra que o silêncio protege o agressor. Mas a denúncia salva vidas.

Então, como aqui nessa camiseta, violência contra a mulher não tem desculpa. Digue 180. Muito obrigada”.

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