Minicelulares chegam a presídios de MS e pioram controle na segurança pública

Apesar de poucas apreensões, aparelhos discretos indicam avanço de prática já comum em outros estados

Cb image default
Celular apreendido em penitenciária em São Paulo (Foto: Secretaria de Administração. Penitenciária Divulgação

Pequenos, discretos e difíceis de detectar, os chamados minicelulares já começaram a ser apreendidos no sistema prisional de Mato Grosso do Sul e passaram a integrar o radar da segurança pública no Estado. Embora o número de ocorrências ainda seja baixo, eles indicam a chegada de uma prática que já se consolidou em outras regiões do país.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul mostram que, nos últimos quatro anos, foram registradas quatro apreensões de minicelulares em Mato Grosso do Sul. Duas ocorreram em 2022, uma em 2023 e a mais recente em setembro de 2025, durante ações no sistema prisional e em investigações relacionadas ao uso ilegal de comunicação por internos.

Mesmo pontuais, as apreensões chamam atenção pelo perfil dos aparelhos. Diferentemente dos celulares convencionais, os minicelulares ocupam poucos centímetros, podem ser facilmente ocultados e permitem ligações e troca de mensagens, o que dificulta o controle dentro das unidades penais.

Prática já é popular em outros estados - Fora de Mato Grosso do Sul, esse tipo de dispositivo já é conhecido das autoridades há quase uma década. O primeiro registro no Brasil data de 2015, quando agentes encontraram um telefone de aproximadamente 7 centímetros escondido dentro de uma pomada enviada por correspondência ao Centro de Detenção Provisória de São Paulo. O aparelho foi descoberto durante a fiscalização de rotina, após os servidores perceberem que a pasta não podia ser espremida.

Cb image default
Celular imitava uma mini lata do refrigerante coca-cola no Mato Grosso  (Foto: Reprodução Sejus)

Em 2017, novos casos foram identificados no mesmo estado, com minicelulares localizados dentro de sabonetes e até transportados por um pombo-correio. Nos anos seguintes, entre 2018 e 2019, apreensões semelhantes foram registradas em presídios do Rio de Janeiro e de Goiás, indicando que a prática começava a se espalhar.

Com o avanço da fiscalização e o uso de equipamentos mais modernos em algumas unidades, os minicelulares passaram a ser usados como alternativa aos smartphones. Em setembro de 2024, a Secretaria de Justiça de Mato Grosso encontrou um aparelho camuflado no formato de uma lata de refrigerante dentro de uma cela do Centro de Detenção Provisória de Juína, após cerca de um ano sem apreensões de celulares na unidade. Já em abril do mesmo ano, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, um detento do regime semiaberto foi flagrado ao passar pelo raio x depois de ingerir três minicelulares e quatro baterias.

Em Mato Grosso do Sul, a Polícia Penal afirma que atua de forma contínua para impedir o acesso de internos a qualquer meio de comunicação externa não autorizado. As ações incluem revistas frequentes, uso de tecnologia e monitoramento de novas estratégias utilizadas para tentar burlar a fiscalização.

Para a segurança pública, a preocupação vai além do número de apreensões. Mesmo ainda discretos no Estado, os registros indicam que Mato Grosso do Sul começa a ser impactado por uma tendência nacional, considerada um novo desafio para o controle do sistema prisional e para o enfrentamento de organizações criminosas que atuam de dentro das unidades penais.

"A Polícia Penal se empenha em coibir o acesso de internos do sistema prisional a meios de comunicação externa ilícita e conta com auxílio da tecnologia para executar esses serviços", declarou a SEJUSP.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.